Copywriting jurídico: como escrever de forma persuasiva sem ferir as regras da OAB

Por: Fernanda da Ultimatum
- 26/12/2025
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A advocacia sempre foi uma profissão baseada na palavra. Entretanto, embora o Direito seja construído por meio da linguagem, muitos advogados ainda enfrentam dificuldades para se comunicar de forma clara, estratégica e persuasiva — especialmente no ambiente digital. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação legítima com os limites éticos impostos pela Ordem dos Advogados do Brasil. Assim, surge uma dúvida recorrente: é possível escrever de forma persuasiva sem violar as regras da OAB?
A resposta é sim. Contudo, para isso, o advogado precisa compreender profundamente o que é copywriting jurídico, quais são seus limites éticos e, principalmente, como utilizá-lo de forma responsável, informativa e estratégica. Portanto, dominar essa técnica deixou de ser um diferencial e passou a ser uma competência essencial para a advocacia contemporânea.
Além disso, como o marketing jurídico evoluiu, escrever bem não significa mais apenas redigir petições técnicas. Hoje, o advogado também precisa produzir conteúdos institucionais, artigos, textos para redes sociais, páginas de site e comunicações que informem, eduquem e fortaleçam sua autoridade — tudo isso sem mercantilizar a profissão.
1. O que é copywriting jurídico e o que ele não é
Antes de tudo, é fundamental desfazer um equívoco comum. Copywriting jurídico não é propaganda agressiva, não é promessa de resultado e não é captação indevida de clientela. Pelo contrário, copywriting jurídico é a técnica de escrever textos persuasivos com foco em clareza, valor informativo e orientação do leitor, sempre respeitando os limites éticos da advocacia.
Enquanto o copywriting comercial busca vender produtos de forma direta, o copywriting jurídico busca:
- esclarecer dúvidas jurídicas;
- educar o público;
- demonstrar autoridade técnica;
- fortalecer reputação profissional;
- gerar confiança;
- posicionar o advogado como referência.
Portanto, quando bem aplicado, o copywriting jurídico não fere a OAB — ele fortalece a advocacia.
2. Por que advogados precisam aprender copywriting hoje
Atualmente, o primeiro contato do cliente com o advogado raramente acontece no escritório. Na maioria das vezes, esse contato ocorre por meio de:
- artigos no Google;
- redes sociais;
- site institucional;
- conteúdos educativos;
- vídeos explicativos.
Dessa forma, quem não sabe escrever bem no ambiente digital perde visibilidade, autoridade e oportunidades. Além disso, como o mercado jurídico está cada vez mais competitivo, comunicar-se de forma estratégica se tornou essencial.
Entretanto, escrever bem não significa escrever de forma apelativa. Pelo contrário, na advocacia, quanto mais técnica, clara e responsável for a comunicação, maior será a confiança gerada.
3. O que a OAB permite no marketing de conteúdo jurídico
Para escrever com segurança, o advogado precisa conhecer as regras. O Provimento nº 205/2021 da OAB trouxe avanços importantes e deixou claro que o marketing jurídico informativo é permitido.
De forma objetiva, a OAB permite:
✔ Produção de conteúdo informativo e educativo
✔ Artigos jurídicos em blogs e sites
✔ Publicações em redes sociais com finalidade educativa
✔ Uso de linguagem clara e acessível
✔ Divulgação de áreas de atuação
✔ Posicionamento institucional
✔ Fortalecimento de autoridade técnica
Entretanto, a OAB proíbe:
✖ Promessa de resultados
✖ Linguagem sensacionalista
✖ Captação direta e ostensiva de clientela
✖ Divulgação de valores e descontos
✖ Comparação com outros advogados
✖ Expressões como “o melhor”, “garantia”, “causa ganha”
Portanto, o copywriting jurídico deve respeitar esses limites de forma rigorosa.
4. Persuasão ética: o verdadeiro objetivo do copywriting jurídico
Persuadir não significa manipular. Pelo contrário, no contexto jurídico, persuadir significa ajudar o leitor a compreender um problema jurídico e perceber que o advogado possui conhecimento técnico para lidar com ele.
Assim, a persuasão ética acontece quando o texto:
- esclarece dúvidas reais;
- apresenta fundamentos legais;
- explica riscos e possibilidades;
- evita promessas;
- orienta de forma responsável;
- respeita a autonomia do leitor.
Consequentemente, o leitor passa a confiar no profissional de forma natural.
5. Como estruturar um texto jurídico persuasivo e ético
A estrutura é essencial. Um bom texto jurídico persuasivo segue uma lógica clara e organizada.
5.1. Comece pelo problema real do leitor
Primeiramente, o advogado deve demonstrar que entende a dor do leitor. Isso pode ser feito com perguntas reflexivas ou situações comuns, como:
- “Você sabia que muitas pessoas perdem direitos por falta de informação?”
- “Muitos contribuintes enfrentam esse problema sem saber como agir.”
Dessa forma, o leitor se sente compreendido.
5.2. Explique o contexto jurídico com clareza
Em seguida, é essencial explicar o tema jurídico com linguagem acessível, mas sem perder precisão técnica. Além disso, é importante citar fundamentos legais, jurisprudência e conceitos relevantes.
Assim, o texto educa e demonstra autoridade ao mesmo tempo.
5.3. Apresente caminhos possíveis — sem prometer resultados
Aqui está um ponto crítico. O advogado pode explicar possibilidades jurídicas, cenários comuns e entendimentos predominantes, desde que deixe claro que cada caso deve ser analisado individualmente.
Portanto, expressões como:
✔ “Em muitos casos, a jurisprudência tem entendido que…”
✔ “Dependendo da análise do caso concreto…”
✔ “A avaliação técnica é indispensável…”
são totalmente adequadas.
5.4. Finalize com convite institucional e ético
O texto pode, sim, conter um convite para conhecer o escritório ou buscar orientação profissional. Contudo, esse convite deve ser discreto, institucional e informativo, como:
- “Procure um advogado de sua confiança.”
- “Um profissional especializado poderá analisar seu caso.”
- “O acompanhamento jurídico adequado faz toda a diferença.”
Isso respeita integralmente a OAB.
6. Palavras persuasivas que podem ser usadas sem infringir a OAB
Muitos advogados acreditam que não podem usar palavras persuasivas. Isso não é verdade. O que importa é o contexto.
Exemplos de palavras permitidas quando usadas corretamente:
✔ orientação
✔ esclarecimento
✔ análise técnica
✔ segurança jurídica
✔ prevenção de riscos
✔ informação correta
✔ acompanhamento profissional
✔ estratégia jurídica
Essas expressões fortalecem o texto sem mercantilizar a advocacia.
7. Erros comuns no copywriting jurídico (e como evitá-los)
Mesmo com boa intenção, alguns erros são recorrentes:
❌ Prometer resultados implícitos
❌ Usar linguagem emocional excessiva
❌ Focar apenas em venda
❌ Copiar modelos de marketing comercial
❌ Ignorar o Código de Ética
Para evitar esses erros, o advogado deve sempre revisar o texto com olhar técnico e ético.
8. Copywriting jurídico e autoridade profissional
Quando bem aplicado, o copywriting jurídico constrói autoridade de forma sólida. Isso acontece porque o advogado passa a ser visto como fonte confiável de informação.
Além disso, conteúdos bem escritos:
- aumentam alcance orgânico no Google;
- fortalecem reputação digital;
- geram indicações espontâneas;
- criam relacionamento com o público;
- posicionam o escritório no médio e longo prazo.
Portanto, escrever bem é investir na carreira.
9. O papel da tecnologia no copywriting jurídico moderno
Hoje, ferramentas de tecnologia auxiliam advogados na produção de conteúdo. Entretanto, é essencial que o profissional revise tudo com responsabilidade ética.
Soluções jurídicas inteligentes, como as utilizadas na gestão de conteúdo jurídico, ajudam a organizar ideias, padronizar linguagem e manter coerência técnica. Contudo, a decisão final sempre deve ser humana.
Conclusão
O copywriting jurídico não apenas é permitido pela OAB — ele é necessário na advocacia moderna. Entretanto, ele exige responsabilidade, técnica e profundo respeito às normas éticas da profissão.
Quando o advogado escreve com clareza, fundamentação e foco informativo, ele educa, orienta e constrói autoridade sem ferir nenhuma regra. Assim, a persuasão acontece de forma ética, natural e sustentável.
Em resumo, escrever bem, com estratégia e ética, é uma das maiores vantagens competitivas da advocacia atual.
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