Como lidar com inadimplência de clientes na advocacia

Por: Fernanda da Ultimatum
- 22/08/2025
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A inadimplência é uma realidade incômoda para muitos escritórios de advocacia. Afinal, quando o cliente deixa de pagar os honorários, não apenas a relação profissional é abalada, mas também a saúde financeira do escritório sofre impactos diretos. Além disso, a cobrança de valores devidos na advocacia possui peculiaridades éticas e jurídicas que exigem atenção especial.
Por isso, compreender como lidar com essa situação de forma estratégica, profissional e em conformidade com as normas da OAB é essencial para qualquer advogado que deseja preservar sua credibilidade, sua rentabilidade e o bom relacionamento com os clientes.
Neste artigo, vamos analisar os principais desafios da inadimplência na advocacia, discutir alternativas éticas de prevenção e cobrança e mostrar como pequenas mudanças na gestão podem reduzir consideravelmente esse problema.
O impacto da inadimplência nos escritórios de advocacia
A inadimplência vai muito além da simples ausência de pagamento. Ela compromete o fluxo de caixa, dificulta investimentos em tecnologia e treinamento e, em alguns casos, até impede o crescimento do escritório.
Em escritórios pequenos e médios, esse problema é ainda mais grave, já que cada contrato representa uma fatia importante da receita mensal. Assim, quando um cliente deixa de cumprir sua obrigação, o impacto pode gerar atrasos em pagamentos de fornecedores, dificuldade na contratação de equipe de apoio e até restrição em investimentos estratégicos.
Portanto, lidar com a inadimplência de forma preventiva e organizada não é apenas uma boa prática: é uma necessidade para manter a estabilidade do escritório
Por que a inadimplência acontece na advocacia?
Existem diversas razões para clientes atrasarem ou não pagarem honorários. Entre as mais comuns, podemos citar:
- Dificuldade financeira real do cliente – Muitas vezes, o cliente passa por instabilidades que afetam sua capacidade de honrar compromissos.
- Falta de clareza contratual – Quando o contrato não especifica prazos, valores e formas de pagamento de maneira detalhada, abrem-se brechas para conflitos.
- Subjetividade no valor percebido – Alguns clientes não compreendem o valor agregado do trabalho jurídico, especialmente quando o resultado do processo demora.
- Gestão de cobrança ineficiente – Escritórios que não acompanham prazos ou deixam de enviar lembretes favorecem o esquecimento ou a negligência.
Logo, identificar a causa raiz da inadimplência é o primeiro passo para encontrar a solução adequada.
Estratégias de prevenção: como reduzir a inadimplência antes que ela ocorra
O ditado “prevenir é melhor do que remediar” se aplica perfeitamente à advocacia. Para reduzir o risco de inadimplência, algumas medidas simples e éticas podem ser aplicadas no dia a dia do escritório.
1. Contratos claros e completos
O contrato de honorários deve ser sempre formalizado por escrito, com cláusulas objetivas sobre valores, prazos, forma de pagamento, índice de correção em caso de atraso e até penalidades.
Além disso, é importante explicar verbalmente cada ponto do contrato, garantindo que o cliente compreenda as condições e não alegue desconhecimento no futuro.
2. Definição de formas de pagamento flexíveis
Ao oferecer alternativas como parcelamento, boleto bancário ou débito automático, o escritório facilita o cumprimento da obrigação e reduz a chance de atraso.
3. Comunicação transparente e constante
Clientes bem informados sobre o andamento do processo tendem a valorizar mais o trabalho do advogado. Portanto, manter contato periódico e explicar os avanços do caso ajuda a reforçar a importância do pagamento.
4. Seleção criteriosa de clientes
Nem todo cliente é adequado para todo escritório. Avaliar previamente o histórico, o perfil e a capacidade financeira do contratante pode evitar problemas futuros.
Como agir diante da inadimplência já instalada
Mesmo com medidas preventivas, a inadimplência pode acontecer. Nesses casos, a postura do advogado deve ser firme, mas sempre ética.
1. Contato amigável e direto
O primeiro passo deve ser uma comunicação clara e respeitosa, lembrando o cliente do débito e oferecendo alternativas para a regularização. Muitas vezes, uma simples ligação ou e-mail já resolve o problema.
2. Negociação de prazos ou valores
Caso o cliente esteja realmente em dificuldade, pode ser melhor negociar condições mais acessíveis do que insistir em um pagamento integral imediato. Dessa forma, o advogado mantém parte da receita e evita a perda total.
3. Registro formal da cobrança
Se a tentativa amigável não funcionar, é recomendável enviar notificações formais por escrito, reforçando a obrigação contratual. Esse registro pode ser útil em eventual ação judicial.
4. Ação judicial de cobrança
Em último caso, o advogado pode ingressar com ação judicial de cobrança de honorários. Essa medida, no entanto, deve ser tomada com cautela, considerando os impactos na relação profissional e a imagem do escritório.
O que a OAB permite e o que proíbe na cobrança de honorários
É fundamental lembrar que a advocacia é regida por normas éticas próprias. O Código de Ética e Disciplina da OAB estabelece limites para a cobrança de honorários, justamente para preservar a dignidade da profissão e a relação de confiança entre advogado e cliente.
Segundo o artigo 42 do Código, o advogado pode cobrar seus honorários de forma judicial ou extrajudicial, desde que respeite a urbanidade e não exponha o cliente ao ridículo ou à coação.
Isso significa que práticas comuns em outros setores, como incluir o nome do cliente em cadastros de inadimplentes ou realizar cobranças vexatórias, são expressamente proibidas.
Portanto, todo o processo de cobrança deve ser conduzido com profissionalismo, sobriedade e respeito à imagem do cliente.
Ferramentas de gestão que ajudam a controlar a inadimplência
Além da postura preventiva e da observância das normas éticas, os escritórios podem se beneficiar do uso de ferramentas tecnológicas para reduzir a inadimplência.
Softwares de gestão jurídica, por exemplo, permitem emitir boletos automaticamente, enviar lembretes de vencimento e acompanhar em tempo real quais clientes estão adimplentes ou inadimplentes.
Além disso, sistemas de inteligência artificial jurídica, como o Nexus.IA, ajudam a otimizar a produção de peças e liberar tempo da equipe, permitindo que os sócios se dediquem mais ao relacionamento com os clientes e à gestão financeira.
Quando vale a pena insistir na cobrança?
Nem sempre insistir até as últimas consequências é a melhor alternativa. Em alguns casos, o custo emocional e reputacional de uma cobrança prolongada pode ser maior do que o benefício financeiro.
Dessa forma, é essencial avaliar cada situação com cautela. Pergunte-se:
- O cliente tem condições de pagar futuramente?
- A manutenção da relação profissional é estratégica para o escritório?
- O custo da cobrança judicial compensa em relação ao valor devido?
A partir dessas respostas, o advogado pode decidir se vale a pena continuar cobrando ou encerrar a relação contratual.
Conclusão: firmeza com ética é o caminho certo
A inadimplência na advocacia é um problema recorrente, mas pode ser administrado de forma estratégica. Contratos claros, comunicação constante, gestão eficiente e postura ética são os pilares para reduzir esse risco e proteger a saúde financeira do escritório.
Ao mesmo tempo, quando a inadimplência ocorre, o advogado deve agir com firmeza, mas sempre dentro dos limites estabelecidos pela OAB. Afinal, a cobrança de honorários não pode comprometer a dignidade da profissão nem prejudicar a confiança construída com os clientes.
Em resumo, lidar com inadimplência exige equilíbrio entre profissionalismo, empatia e gestão eficiente. Ao aplicar essas práticas, os escritórios conseguem não apenas reduzir perdas financeiras, mas também fortalecer sua imagem no mercado jurídico.
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